sábado, 19 de agosto de 2017

EUA terão eclipse total do Sol na segunda; no Brasil, fenômeno será parcial

Salvador Nogueira -  Folha de São Paulo


Um furor tomará conta da internet conforme a Lua transitar à frente do Sol na tarde da próxima segunda-feira (21). Nos EUA, onde o eclipse solar será total, espera-se, além de repercussão nas redes sociais, tráfego intenso de veículos e congestionamento dos sistemas de telefonia celular. E pesquisadores brasileiros estarão por lá, para fazer ciência.
Um destaque vai para a equipe do Projeto Kuaray, conduzido em parceria pela Universidade de Brasília com o Clube de Astronomia de Brasília.
Graças a um acordo de cooperação com a Universidade Estadual de Montana, nos EUA, e uma verba da Nasa, eles vão lançar um balão à estratosfera e filmar, em 360 graus e em alta resolução, o momento do eclipse. Kuaray é Sol em tupi-guarani.
“É uma grande oportunidade estarmos em um dos 55 balões que voarão com apoio da Nasa para observar o eclipse”, diz Renato Borges, professor do Departamento de Engenharia Elétrica da UnB.
O pessoal da UnB desenvolveu a plataforma para o voo, enquanto a Universidade Estadual de Montana forneceu o balão. O lançamento será feito de Rexburg, no estado de Idaho.
A ideia é que o vídeo de realidade virtual resultante do experimento sirva mais tarde para fins educacionais.
Plataforma do Projeto Kuaray, que registrará o eclipse em 360 graus em voo de balão nos EUA. (Crédito: Projeto Kuaray)
CIÊNCIA
Também existe grande expectativa de produção de dados científicos importantes com o eclipse. Nada com a grandiosidade do que já foi feito no passado, quando a fotografia de estrelas durante um eclipse total do Sol (por sinal visto em Sobral, no Ceará) confirmou a teoria da relatividade geral de Einstein, em 1919.
Ainda assim, coisa boa. Afinal, quando a Lua bloqueia o disco solar, é possível observar a camada que fica logo acima da superfície do Sol, a chamada cromosfera.
“É uma boa ocasião para obter informações sobre ela, já que se pode ter mais diversidade de instrumentação do que os que estão no espaço”, explica Renato Dupke, astrônomo brasileiro que trabalha na Universidade de Michigan.
“Existem alguns projetos usando balão ou aviões para obter imagens de alta resolução e monitoramento temporal em escalas menores do que se consegue no espaço, estudos de polarização estão planejados fornecendo informação sobre a velocidade e temperatura do material da coroa solar.”
Dupke destaca que também serão feitas observações do planeta Mercúrio, que só figura no céu noturno sempre muito perto do horizonte, onde é mais difícil ser estudado por telescópios.
Além disso, uma parte importante dos estudos diz respeito à própria Terra — os cientistas buscam explorar os efeitos que o eclipse provoca em nosso planeta.
Na prática, na região de totalidade, é como se anoitecesse instantaneamente por cerca de 2 minutos, o que causa um resfriamento rápido da atmosfera.
“O eclipse provê uma parada rápida do fluxo de radiação em regiões pequenas, e isso permite verificar a velocidade com que a atmosfera reage e até a magnitude de raios cósmicos solares”, explica Dupke.
VIDA QUE SEGUE
Os efeitos se estendem à biosfera. Pássaros acham que anoiteceu e voltam a seus ninhos, animais noturnos se tornam ativos _enganados por um belo truque da natureza. E o bicho homem, claro, não está imune.
Você já deve ter reparado alguns dos efeitos nos humanos. Mas, a despeito da onda de bobagens que se propaga pelas redes sociais, não vai ter Nibiru (que, a propósito, não existe), não vai ter mudança de órbita de nada, nem vai ter tipo algum de catástrofe ou evento sobrenatural. É só a bela dança da Lua, em seu enlace de sempre ao redor da Terra.
Antevendo as confusões, o astrofísico americano Neil deGrasse Tyson escreveu no Twitter na última quarta: “Eclipses totais do Sol acontecem em algum lugar da Terra a cada dois anos, em média. Então, fique calmo quando as pessoas disserem que eles são raros.”
Certo, mas se é tão comum, por que a comoção neste evento em particular? Ocorre que a faixa onde o eclipse será total _ou seja, as regiões em que a Lua se alinha perfeitamente com o Sol para bloqueá-lo por inteiro, projetando uma sombra sobre a Terra_ vai percorrer os EUA de costa a costa, de modo que muitas regiões habitadas poderão observá-lo. Por lá, faz 38 anos que não surge uma ocasião como esta.
Por aqui, já será o segundo eclipse visível neste ano. Em fevereiro, houve um que foi total na pequena região do Chile e da Argentina, e parcial (onde a Lua recobre apenas parte do disco solar) nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.
O da próxima segunda também poderá ser visto em solo brasileiro, mas só nas regiões Norte e Nordeste, aproximadamente entre as 16h (de Brasília) e o pôr do Sol.
A quem quiser observar, um lembrete importante: não olhe diretamente para o Sol, pois podem ocorrer danos à visão. É preciso usar filtros apropriados (o mais simples e barato é um vidro de máscara de solda No. 14) ou ver o eclipse indiretamente, por meio de uma projeção.
Mensageiro Sideral transmitirá o evento ao vivo na segunda-feira, com imagens dos EUA e do Brasil, entre as 14h e 18h.
BÔNUS: Lista de eventos públicos para observação no Brasil(Fonte: GaeA)
– Bezerros/PE (AAP)
Praça Narciso Lima
+ transmissão (https://www.facebook.com/Associa%C3%A7%C3%A3o-Astron%C3%B…/…)
– Cacimbinhas/AL (SAHA)
Praça do antigo Liceu
– Fortaleza/CE (Clube de Astronomia do Caic)
Caic Maria Alves Carioca
– Fortaleza/CE (Colégio Militar do Corpo de Bombeiros)
https://www.facebook.com/events/1772977219398919/
– Garanhuns/PE (Prof. Mércia Figueiredo)
Escola Municipal José Brasileiro Vila Nova
– Jaboatão dos Guararapes/PE (EREM Vila Rica)
https://www.facebook.com/events/464065500591175/?ref=br_rs
– João Pessoa/PB (APA + NEPA-IFPB)
Concurso fotográfico: http://www.apapb.org/cfe2017/
Observação no Hotel Globo
– Juazeiro/BA (Astromaníacos + Univasf)
https://www.facebook.com/events/109294866415815/
– Maceió/AL (CACS)
Escola Estadual Noel Nutels
– Maceió/AL (CEAAL)
Mirante Santa Terezinha
– Manaus/AM (OARU + Clube de Astronomia de Manaus)
https://www.facebook.com/events/105709103491205/
– Natal/RN (ANRA+Astronomia no Zênite + The Planetary Society)
Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte
– Natal/RN (Prof. Ricardo Pereira)
Escola Estadual General Dióscoro Vale
– São Luis/MA (SAMA + Ilha da Ciência UFMA)
Concha Acústica da Praça Maria Aragão

Saiba qual é a frequência sexual média para cada idade

Veja


Estudos mostraram que a idade desempenha

um papel importante em fatores como 

frequência e qualidade da vida sexual



A frequência sexual varia de acordo com a idade e depende de diversos fatores, como estilo de vida, saúde e libido. De acordo com um estudo do Instituto Kinsey para Pesquisas em Sexo, Gênero e Reprodução, nos Estados Unidos, a frequência tende a decair ao longo dos anos e pode variar de uma vez por semana a uma vez por mês.

Frequência
Os jovens entre 18 e 29 anos têm, em média, 112 relações sexuais por ano, o corresponde a três encontros por semana. Já em adultos de 30 a 39 anos, a média anual cai para 86, o que equivale a 1,6 relação por semana. Já o grupo entre 40 e 49 anos de idade tem 69 sessões por ano ou 1,3 relação semanal, um pouco mais da metade em relação aos mais jovens.
Clique aqui e leia a matéria completa

"O fim da Lava Jato?", por Ruy Fabiano


Com Blog do Noblat - O Globo


A Lava Jato, mais uma vez, está sob bombardeio. Desta vez, o ataque se arma de dentro do próprio Judiciário, mais especificamente no STF. É lá que está sendo gestada a revisão da jurisprudência que autoriza prisão dos condenados em segunda instância.

Pouco importa que essa jurisprudência tenha se estabelecido há menos de um ano – mais precisamente, em outubro do ano passado – e que, de lá para cá, a composição da Corte seja praticamente a mesma, com uma única alteração, decorrente da morte de Teori Zavaski, sucedido por Alexandre de Moraes.
Não é comum tal procedimento, para dizer o mínimo. Uma jurisprudência decorre de ampla análise e debate, em que os prós e os contras são avaliados e submetidos a votação. Como o fez o STF. Comum, sim, é uma antiga jurisprudência, que o tempo e a legislação tornaram anacrônica, ser revista. Mais uma que nem sequer chegou a aniversariar é um fato singular.
Por 6 a 5, o STF entendeu, naquela oportunidade, que o artigo 283 do Código de Processo Penal não impede a prisão após condenação em segunda instância e indeferiu liminares pleiteadas nas Ações Declaratórias de Constitucionalidade 43 e 44, impetradas pelo Partido Ecológico Nacional (PEN) e pela OAB.
O caso começou a ser analisado pelo Plenário em 1º de setembro de 2016, quando o relator das duas ações, ministro Marco Aurélio, votou contra a prisão em segunda instância. Contudo, um mês depois, com a retomada do julgamento, foi voto vencido.
Prevaleceu o entendimento de que a norma não veda o início do cumprimento da pena após esgotadas as instâncias ordinárias.
Entre os que assim pensavam – e votaram – estavam os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, que agora informam ter mudado de opinião. E é Gilmar Mendes, coadjuvado por Marco Aurélio, que propõe a reabertura do debate.
Ele e Toffoli converteram-se à tese do relator, segundo a qual a prisão em segunda instância fere o artigo 5º, inciso LVII da Constituição, que estabelece que a presunção de inocência permanece até o trânsito em julgado – isto é, até que se esgote o último recurso.
A jurisprudência agora contestada considera que o direito aos recursos pode ocorrer com o condenado preso, como ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos. Foi o que sustentou a presidente do STF, Cármen Lúcia, ao dar o voto de minerva na questão, argumentando que, quando a Constituição estabelece que ninguém pode ser considerado culpado até o trânsito em julgado, “não exclui a possibilidade de ter início a execução da pena”.
Com a mudança dos votos de Gilmar e Toffoli, o placar anterior se inverte. E há ainda a possível adesão de Alexandre de Moraes. A lei processual brasileira permite uma infinidade de recursos, que, somados à lerdeza do Judiciário, levam com frequência a que os processos prescrevam antes de serem julgados.
Paulo Maluf, por exemplo, tem sido historicamente beneficiário histórico dessa anomalia processual. Seus processos prescreveram antes do julgamento. Tornou-se um inocente por decurso de prazo, ainda que procurado pela Interpol e condenado na França.
Basta um bom escritório de advocacia para acionar todos os mecanismos processuais disponíveis. Lula – mas nem de longe só ele – será o grande beneficiário dessa mudança.
Se condenado em segunda instância, terá a ficha suja, mas figurará na campanha do ano que vem como cabo eleitoral – e já o antevê, ao lançar três nomes como possíveis candidatos do PT: Fernando Haddad, Fernando Pimentel e Jacques Wagner - não por acaso, todos denunciados na Lava Jato. Pimentel já como réu.
Com essa revogação, o instituto da delação premiada perde eficácia, já que os condenados passam a contar com a burocracia processual, que os manterá soltos por muitos anos, talvez para sempre. É possível que a delação de Antonio Palocci nem saia, já que a mudança pode ocorrer a qualquer momento.
Figuras como Eduardo Cunha, o próprio Palocci, João Vaccari, Marcelo Odebrecht, entre outros, voltariam para casa. Não lhes faltam bons advogados para inseri-los no turbilhão processual. Com isso, acabaria a Lava Jato. E esse parece ser o objetivo.
Essa estratégia conta, por motivos óbvios, com amplo apoio nos outros dois Poderes. Considera-se que as manifestações de rua, único fator inibidor de expedientes como esse, já arrefeceram e não mais se repetirão. A conferir.
O que é certo é que a diluição de culpas, com a exposição presente das falcatruas no Judiciário, pela publicação dos salários astronômicos de juízes de primeira instância e desembargadores, confunde a opinião pública. Com os três Poderes no banco dos réus, alguns desistem por se sentirem impotentes, outros namoram a intervenção militar e outros ainda falam em desobediência civil.
Xeque-mate, xadrez (Foto: Pixabay)(Foto: Pixabay)

Fundo de R$ 3,6 bilhões para financiar campanha ‘é desaforo’, afirma Barroso

Breno Pires e Rafael Moraes Moura - O Estado de S.Paulo 


Crítico do atual modelo eleitoral e partidário brasileiro, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), considera um “desaforo” a criação de um fundo público com R$ 3,6 bilhões para financiar campanhas, como está sendo discutido na Câmara. Diz que o valor teria de ser menor, chegando, no máximo, a R$ 1 bilhão.
Futuro vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições de 2018, Barroso aponta como positiva a proibição da doação empresarial nas eleições, sistema que, segundo ele, era “mafioso”.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso concede entrevista ao ‘Estado’ em Brasília
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso concede entrevista ao ‘Estado’ em Brasília Foto: ANDRE DUSEK/ESTADÃO
O ministro defende o barateamento das campanhas, o aumento da representatividade no Parlamento e a ampliação da governabilidade. Para ele, a solução é o Congresso aprovar o voto distrital misto para as eleições de 2022, mesmo pagando o “preço do distritão” para 2018 e 2020. “Se não passar a reforma política, vamos continuar afundando no lamaçal que se tornou a política brasileira, e a lama já passou do pescoço”, afirmou o ministro ao Estadão/Broadcast. A seguir, os principais trechos da entrevista.
SISTEMA ATUAL
Para o ministro, o sistema eleitoral brasileiro, com voto proporcional, lista aberta e coligações, é um “desastre completo”. “O eleitor não sabe exatamente quem ele elegeu, e o candidato não sabe exatamente por quem ele foi eleito”, diz. “Não tem como funcionar, porque o eleitor não tem de quem cobrar e o candidato não tem a quem prestar contas. Esta é, a meu ver, a principal causa do descolamento entre a classe política e a sociedade civil. Viraram mundos apartados, e isso, se perdurar por muito tempo, oferece um risco democrático. Portanto, é preciso reaproximar a política da sociedade.”
O ministro critica a profusão de partidos políticos – atualmente são 35 registrados no TSE – e diz que o Supremo errou ao eliminar a cláusula de barreira, em julgamento em 2006. “Existem mais de três dezenas de partidos, existem outros tantos esperando na fila, de baixíssima densidade programática, e, na verdade, esses partidos acabam virando negócios privados. E, frequentemente, negócios privados desonestos, porque esses partidos vivem de apropriação privada do Fundo Partidário e da venda do tempo de televisão”, afirma.
FUNDO ELEITORAL
“A alternativa que se cogita, de R$ 3,6 bilhões, na atual conjuntura brasileira, é um desaforo, e, portanto, é compreensível a reação da sociedade. Um número mais compatível com a realidade brasileira, R$ 800 milhões, por exemplo, até R$ 1 bilhão, é uma discussão razoável, considerando a transição do modelo que nós temos para o do distrital misto, que é muito mais barato.”
GOVERNABILIDADE
No atual modelo presidencialista, segundo Barroso, o mandatário tem “excessivo protagonismo” e “mais poderes para fazer o mal do que o bem”. A proposta do ministro é a adoção do semipresidencialismo, em que o presidente seria eleito pelo voto direto, conduziria as relações internacionais e indicaria o primeiro-ministro, bem como os ministros do Poder Judiciário.
“A eventual substituição do primeiro-ministro não abalaria as instituições, porque o fiador da estabilidade institucional é o presidente da República, que tem mandato e não pode ser destituído”, avalia Barroso.
DISTRITÃO
Barroso diz não ver com simpatia o distritão, por considerar que esse sistema dificulta a representação de minorias e pode até encarecer as eleições. “Não me importaria que ele passasse, se esse for o preço para passar ao distrital misto em seguida. O sistema atual é tão ruim que possivelmente o distritão não é pior”, avalia.  E completa: “Acho que nós ainda vamos ter uma eleição difícil (em 2018), mas, se passar a reforma política com o distrital misto, nós teremos um caminho para o futuro. Se não passar a reforma política, vamos continuar afundando no lamaçal que se tornou a política brasileira, e a lama já passou do pescoço”, afirma.
ENFRAQUECIMENTO DAS SIGLAS
Barroso rebate as críticas de que os partidos políticos seriam enfraquecidos com a aprovação do distritão. “Enfraquecimento dos partidos não é uma profecia. É um diagnóstico. Os partidos já estão dilacerados, quase todos envolvidos em coisas erradas. Uma das situações reveladas pela Operação Lava Jato é que a corrupção no Brasil é multipartidária. Ninguém pode apontar o dedo para ninguém neste momento no Brasil. A única discussão que pode ter é: ‘O seu partido é mais corrupto do que o meu’”, afirma.
DOAÇÕES EMPRESARIAIS
O ministro se opõe a qualquer possibilidade de voltar ao modelo de doações empresariais para campanhas, barrado pelo STF em 2015. Segundo ele, esse sistema foi “indecente no Brasil”.  “O sistema era imoral no sentido constitucional da falta de moralidade administrativa, e, portanto, o Supremo fez muito bem em fulminá-la (doação empresarial). Pior que imoral, ele era mafioso, como aliás a colaboração premiada da JBS mostrou. Tudo era comprado. Do financiamento à desoneração, era pago com dinheiro público, era pago com recurso desviado”, afirma.
PATERNALISMO

Apesar de apoiar financiamento público para as próximas eleições, Barroso defende o fim desse sistema a longo prazo. “A meta tem de ser acabar com o fundo. A política precisa ser financiada pela cidadania. Você vai conquistar adeptos, fazer crowdfunding financiamento por meio de pequenas quantias, geralmente doadas pela internet por pessoas físicas, vai à sociedade buscar dinheiro. Essa dependência permanente da verba pública que se criou no Brasil para tudo tem que acabar. A sociedade tem que acabar com essa dependência do Estado. Esse paternalismo que existe no Brasil em relação a tudo precisa diminuir”, diz.

Para jurista morto no governo Stálin, o direito só pode existir no capitalismo

Arquivo do Estado Russo de História Social e Polí­tica
Lênin e Stálin nos arredores de Moscou, em 1922
Lênin e Stálin nos arredores de Moscou, em 1922

‘Não ia deixar o partido ficar moribundo, morrendo’, diz Tasso

Marcelo de Moraes - O Estado de São Paulo

Foto: Nilton Fukuda/Estadão

No centro da polêmica do programa exibido pelo PSDB na quinta-feira, o presidente interino do partido, senador Tasso Jereissati (CE), afirmou que “não ia deixar o partido ficar moribundo na cama, deitado e morrendo sem chegar a nada”. Em entrevista à Coluna, Tasso disse que “a polêmica é boa” e que o cargo de presidente está à disposição do senador Aécio Neves (presidente afastado) na hora em que ele quiser.

A seguir, a entrevista:
O programa do PSDB causou imensa repercussão e provocou muitas reclamações de tucanos. Qual a sua avaliação sobre o impacto provocado?
Tasso: O programa não disse nada que o País todo não esteja sabendo e vendo todos os dias. O sistema está podre e falido. O que estamos fazendo é propor uma solução para o sistema. Engraçado é que estou vendo pouca gente discutindo sobre isso. E acho engraçada a reação das pessoas. Aí, aparecem uns que sentem ofendidos. Não era a intenção. Quem devia se sentir ofendido é o sistema.
Os tucanos mais governistas, incluindo os ministros, criticaram bastante o programa…
Tasso: Acho que o grupo governista que criticou o programa também não o entendeu. Porque não há ataques a eles ou ao presidente Michel Temer. Aliás, não cita o nome Temer nenhuma vez. O que cita é que Temer está tendo dificuldades para governar como todos os presidentes tiveram. Mas parece que eles se sentiram atingidos e ofendidos. Não entendo. Acho que a polêmica é boa. Mas a intenção não é ofender ninguém. Está se repetindo isso. Toda a vez que se fala ou se tenta discutir alguma coisa os mesmos se sentem ofendidos. Se você reparar, são sempre os mesmos. O que está aumentando é a intensidade da queixa deles.  Cada vez com mais raiva. Isso é o que me preocupa um pouco.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso viu o programa antes?
Tasso: Fernando Henrique viu o programa antes sim.
Existe um movimento defendendo que o senhor se afaste da direção do PSDB…
Tasso: É natural que alguns defendam que me afaste do comando do partido. Mas eu acho que o partido não podia ficar como estava, morrendo. Agora tem uma polêmica, correntes diferentes assumindo posições diferentes. E eu sei que sou interino. Enquanto eu estiver presidente, darei a orientação que acho que é a boa para o partido. A única coisa que eu tenho certeza é que estou fazendo com toda a convicção o melhor para o partido. E não estou querendo atingir ninguém especificamente. A polêmica é boa. É melhor do que o partido ficar moribundo na cama deitado e morrendo sem chegar a nada. E ficando igual aos outros.
O senhor acha que o programa foi correto?
Tasso: Só o resultado entre eleitores do PSDB, pelo que estou vendo nas redes sociais, é fantástico. É fantástica a resposta. Só de ter causada a polêmica…os eleitores estão interessados novamente em discutir. Quando é que você um programa eleitoral causar tanta repercussão? Agora, tem esses mesmos que toda a vida se sentem ofendidos. O que eu posso fazer?
O senhor acha que vai haver pressão para sair da Presidência?
Tasso: Não precisa me pressionar nada para deixar o cargo. É só o Aécio dizer que quer reassumir que pronto! O cargo é dele. Eu entendo, não fico com raiva, não fico nem chateado. Não tem problema nenhum. O Aécio não é o meu problema. Meu problema é o partido. Enquanto eu tiver que cumprir o papel de encontrar o melhor para o partido, farei o melhor que puder, com toda a certeza e convicção, sem nenhum segundo de arrependimento. Se eu tiver de sair, tudo bem. O presidente é o outro. Eu fico na minha. Vou para a minha CAE, cuidar da minha Comissão de Assuntos Econômicos, que já tem bastante coisas e bastante problemas.
O posto na CAE é estratégico para os interesses do governo…
Tasso: Vou atender com a maior responsabilidade e colocar para votar todos os projetos, inclusive esse da criação da  TLP. Independentemente dessa insatisfação do governo e dos ministros. Sempre fui a favor das reformas e vou votá-las independentemente de insatisfação do governo. As propostas fazem parte do programa partidário e da minha convicção pessoal.

DEM quer usar crise do PSDB para crescer

Andreza Matais e Marcelo de Moraes - Estadão Conteúdo



Vereador da Câmara Municipal de SP, Milton Leite (DEM) com o prefeito João Doria. Foto: Fernando Pereira/Prefeitura de SP

Integrantes da cúpula do DEM apostam que poderão faturar politicamente com a crise interna do PSDB. 

Em reformulação e tentando assumir protagonismo no campo de centro-direita, dirigentes do partido acham que o desgaste dos tucanos abrirá espaço para que eleitores do PSDB voltem suas atenções para propostas novas apresentadas por legendas que se contraponham ao PT. 

Nesse processo, o DEM monitora também a situação do prefeito João Doria no PSDB, abrindo a possibilidade de lançá-lo à Presidência, se os tucanos lhe fecharem a porta.