segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

'Única sentença possível é a absolvição de Lula', diz Gleisi Hoffmann, corrupta a caminho do xilindró, sobre a condenação do chefe da organização criminosa

 Paula Sperb, Veja



A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente do Partido dos Trabalhadores, disse na manhã desta segunda, durante a abertura do evento “Diálogos internacionais para a democracia”, em Porto Alegre, mesmo que seja condenado, a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência nas eleições de 2018 será mantida. “Vamos manter a candidatura do presidente Lula para o bem do Brasil e do povo brasileiro”, disse Gleisi a jornalistas.
O evento com a presença de Gleisi faz parte de uma série de atos na capital gaúcha em defesa de Lula (leia-se, em defesa da corrupção), que terá seu recurso da condenação a nove anos e meio de prisão julgado na quarta-feira, no Tribunal regional Federal da 4ª Região (TRF4).
A senadora disse também que “a única sentença possível” para Lula é a sua absolvição. “Não tem outra sentença possível que não seja a absolvição, dada a falta de observância do devido processo legal na condenação de primeira instância. Não sou eu quem falo, são juristas de renome internacional que se pronunciaram sobre a sentença do Moro, dizendo que ela não tem base jurídica, que ela não respeita o processo legal, não tem provas. Isso tudo leva a gente ter esperança e confiar que o TRF4 cumpra a Constituição e absolva o presidente”, disse Gleisi.
A presidente do PT defendeu ainda os protestos nas ruas para evitar uma “ditadura de toga“. “Se o povo não for às ruas, nós podemos cair numa ditadura, uma ditadura da toga, uma ditadura institucional, branda, mas que não respeita a democracia e os direitos das pessoas”, falou.
Questionada sobre o ambiente de insegurança jurídica que uma candidatura após condenação em segunda instância pode gerar, Gleisi afirmou que o pior seria “uma sentença condenatória injusta”. “Difícil para o país é a gente ter uma sentença condenatória que é injusta. Difícil para o país é a injustiça. Difícil para o país é o momento que estamos vivendo hoje no Brasil, uma crise institucional, uma crise econômica, uma crise política. O povo passando dificuldade”, disse.

No domingo, bandoleiros inciaram a montagem do acampamento no Anfiteatro Por do Sol, a 2 km do TRF4, para aguardar a chegada da marcha da Via Campesina na manhã desta segunda-feira. O ministro da Justiça, Torquato Jardim, disse que não há “ameaça concreta” à segurança vinda dos movimentos a favor ou contra o ex-presidente condenado por corrupção.

Meryl Streep e Tom Hanks falam sobre ‘The Post – A Guerra Secreta’

Cara Buckley, The New York Times

O filme The Post – A Guerra Secreta fala dos tensos dias que precederam a decisão do Washington Post, em 1971, de publicar os Documentos do Pentágono, a história secreta do governo sobre a Guerra do Vietnã. O New York Times teve a história em primeira mão, mas foi proibido de publicar a série completa depois que o governo Nixon ganhou uma liminar judicial. Foi quando o Post decidiu continuar a publicá-la. O longa estreia quinta-feira, 25.
Dirigido por Steven Spielberg, o filme tem Meryl Streep como Katharine Graham, a editora do The Post, que entrou por conta própria no desafio à ordem do presidente Nixon, e Tom Hanks como o lendário editor Ben Bradlee. É também a primeira vez que os três ícones de Hollywood trabalham juntos. Recentemente, conversei com Hanks e Streep sobre os paralelos do filme com a atualidade, o momento Weinstein e o que representou seguir os passos do que é indiscutivelmente o melhor filme sobre jornal, Todos os Homens do Presidente, com Jason Robards como Bradlee. Aqui estão trechos da conversa.
Alguém pensou: ‘Pois bem, o filme definitivo sobre o Washington Post foi feito. Estamos contra isso?’.
Streep: Não acho que o filme definitivo sobre o Washington Post foi feito. Foi um ótimo filme, mas negligenciou Katharine Graham e sua posição central. 
Hanks: Havia referência a ela.
(Para Hanks) Você, em especial, tem um papel que foi iconicamente interpretado. Como você o assumiu de forma diferente?
Hanks: Tive a ótima função de interpretar o único aliado que Katharine Graham teve. Você sabe, filosoficamente, o relacionamento deles era baseado em muitos aspectos. Pode chamar isso de amor, respeito, empatia, compreensão, coragem.
Streep: Admiração mútua.
Hanks: Também havia conflito, como quando ele disse: ‘Katharine, tire o dedo do meu olho’. Desde o momento em que ambos lemos e dissemos ‘Não vamos deixar isso escapar’, ele cresceu quanto ao que os Documentos do Pentágono representavam. 
The Post
Tom Hanks e Meryl Streep em cena de 'The Post'  Foto: UNIVERSAL PICTURES
Ela tinha muitas dúvidas. E isso a perseguiu a vida toda. Ela se sentia como se estivesse em uma espécie de ponto de espera, até que seu filho tivesse idade para tornar-se editor. Onde você acha que ela encontrou a coragem de dizer: ‘Vamos fazer isso, vamos publicar?’. Seus consultores estavam contra isso.
Streep: De onde vêm as coisas mais difíceis? Elas vêm do fundo. De seus pais. Katharine Graham era um produto de seu tempo. Foi toda a cultura que minimizou o papel das mulheres, especialmente as que deveriam ter maior ação, entre todas as mulheres ricas e educadas que tiveram todas as oportunidades para entrar em lugares importantes da vida, mas ficaram contidas. Ela era tão meticulosa, com profundos princípios e ardilosa de um jeito que as mulheres tinham de ser quando ocupavam apenas o segundo nível em uma sociedade.
O filme é um modelo para homens e mulheres que trabalham juntos com respeito, o que, quem teria imaginado, é o que precisamos, um bom exemplo.
Streep: Sim, mas imagine se eu fosse o editor-chefe do The Washington Post e você fosse meu editor. E se eu dissesse: ‘Tire o dedo do meu olho’. Seria demitida. É isso que quero dizer sobre desigualdade. 
Há ecos de Nixon no que ouvimos sobre a Casa Branca agora, com a diferença de que a pessoa que está na Casa Branca diz que reportagens reais são ‘notícias falsas’. Foi gratificante fazer um filme que se passa numa época em que as pessoas realmente acreditavam nas coisas?
Hanks: O ataque à Primeira Emenda sob a administração Nixon era a velha escola, uma versão do dia D do ‘Vamos parar com esta história porque é segurança nacional e eles são traidores se a publicarem. Porque se eles se atreverem a publicá-la, descobrirão que nós mentimos. E se souberem que estamos mentindo, não poderemos fazer nosso trabalho’. O que está acontecendo agora é essa guerra de guerrilha contra a Primeira Emenda. Essa ideia agora, que tem sido expressa por várias pessoas no mais alto nível da atual administração, diz que existe algo como um ‘fato alternativo’. Ele dá validação ao que é falso. E nesse âmbito vem algum grau da mesma mensagem: ‘Não os deixe descobrir a verdade, porque assim não poderemos ficar no poder”.
No NY Times, os colegas acham que esta é uma história do NY Times. Eles revelaram os papéis do Pentágono. O que vocês pensam sobre isso?
Hanks: Li um artigo antes de começar a filmar, Como eles se atrevem a fazer esse filme sobre o The Washington Post quando deveria ser sobre nós? Estamos reagindo ao que o NY Times fez. Eles não tinham Katharine Graham. Não tinham essa parte.
Preciso mudar a conversa para os dias de hoje, o assédio sexual. Uma coisa que me impressionou após as acusações a Harvey Weinstein foi que as pessoas falavam: ‘O que Meryl vai dizer?’. Eles estavam esperando por você.
Streep: Descobri isso numa sexta-feira e fui para casa cuidar da minha vida. Então alguém me disse que no Morning Joe estavam gritando que eu ainda não havia respondido. Não tenho Twitter, Facebook. Isso realmente mostrou a minha sensação de falta de clareza e também que pessoa malvada, com duas caras, e ainda assim, um campeão com um trabalho excelente. Você faz filmes, acha que sabe tudo sobre todos, mas não sabe nada. 
O que faz com o fato de as pessoas quererem que você comente?
Streep: Não quero ouvir sobre o meu silêncio. Quero ouvir sobre o silêncio de Melania Trump. Ela tem tanto a dizer. 
(Para Hanks) O que você faz deste momento #MeToo?
Hanks: Após o caso Weinstein ser divulgado, alguém escreveu: ‘Quem disse que nunca é tarde demais para se aprender um novo comportamento?’. Isso pode significar um ajuste de contas que nos tornará uma sociedade melhor.
Streep: Tudo é descarregado nas mulheres, porque esse é o último grupo que é OK menosprezar e degradar. 
Você se sentiu ‘cúmplice’, e essa é uma palavra difícil?
Streep: Honestamente, no que se refere ao Harvey, eu realmente não sabia. Achei que tinha namoradas. Quando ouvi rumores sobre atrizes, pensei que era uma maneira de denegrir a atriz e sua capacidade para conseguir o trabalho. Isso aumentou minha desconfiança. Não sabia que ele estava abusando de pessoas. Ele nunca pediu para me encontrar em um quarto de hotel. Eu não sei como ele levava sua vida sem que as pessoas soubessem intimamente sobre isso.
Hanks: Nunca fui conscientemente cúmplice, mas isso não significa que estivesse alheio.
A crítica do Washington Post disse: ‘Ícones que interpretam ícones’.
Hanks: Oh, céus.
Streep: Uh-oh.
Hanks: Oh droga.
Streep: Ainda bem que não lemos os comentários.
Hanks: Aqui vem a arrogância direto para nos derrubar. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

Por que turistas brasileiros que adoram caminhar em Nova York, Paris ou Londres não vão a pé nem até a padaria da esquina, quando estão em São Paulo?

Mauro Calliari, O Estado de São Paulo

“Andamos trinta quarteirões a 10 graus negativos em Nova York”


Oxford Street, Londres. Foto: M.Calliari
Hoje foi publicada na Folha uma interessante entrevista com Washington Olivetto, um dos maiores publicitários brasileiros. Ele está morando em Londres e conta que está adorando andar a pé e de metrô pela cidade: “Não tenho nenhuma vontade de comprar carro aqui. E olha que gosto de carros velozes. Tenho andado muito de metrô, ônibus e a pé. Volto da agência todos os dias a pé, uma hora de caminhada”.

Nessa época de férias, é comum encontrarmos pessoas que dizem ter adorado andar em cidades fora do Brasil, apesar de nunca fazerem isso por aqui. Seja em Nova York, Paris, Londres ou Buenos Aires, os brasileiros que viajam se encantam com o prazer de andar a pé: as calçadas lisas, a limpeza, a segurança, as pessoas, as lojas e as surpresas que as grandes cidades escondem.
Os relatos das viagens no Facebook, no Instagram são eloquentes: “andamos trinta quarteirões a 10 graus negativos em Nova York” ou “delícia passear por essa cidade tão limpinha e parar num café na calçada”.

Sinalização de rua em Londres. Foto: M.Calliari
Essa é uma questão intrigante: as pessoas adoram andar a pé. Mas não em São Paulo.
O fato é que nós já vivemos numa cidade onde a maior parte das pessoas faz suas coisas a pé e não nos damos conta disso. Sim, o percentual de pessoas que andam a pé em  São Paulo é maior do que em Londres, ou Nova York ou Paris.
Em São Paulo, não custa lembrar, mais de um terço dos deslocamentos diários são feitos a pé – são crianças que andam até a escola, adultos que fazem compras, gente que vai trabalhar a pé. Outro terço dos deslocamentos envolve algum tipo de caminhada, até o ponto de ônibus ou o trem, por exemplo. No mínimo dois terços de todos os deslocamentos cotidianos da cidade são feitos a pé, muito mais do que nessas outras cidades.
Ou seja, nós já moramos numa cidade em que as pessoas andam a pé. Somos milhões de pedestres e não valorizamos isso.
Comparadas a outras grandes cidades globais, São Paulo não é, de fato, uma cidade fácil: as ruas muitas vezes não são nada atraentes, as calçadas têm buracos, e as travessias são perigosas, mas, principalmente nas áreas centrais (de onde saem grande parte de nossos turistas que viajam para fora), é possível encontrar lugares agradáveis, em que o deslocamento entre o ponto A e B pode ser feito com prazer.
Há ruas com árvores que dão boa sombra, há ruas seguras, há lojinhas simpáticas em qualquer lugar e há sempre alguma coisa acontecendo que pode nos interessar. Há, mais que tudo, milhões de pessoas andando para cá e para lá.
Mas há uma assimetria: o tempo médio de deslocamento a pé é de 15 minutos para quem ganha mais de 15 salários mínimos e 32 minutos para os que ganhame um e dois salários, como mostra estudo da estatística Glaucia Guimarães Pereira, feito para esse blog, a partir da pesquisa OD.
O que isso quer dizer? Que os mais ricos andam a metade do que os mais pobres.
Parece normal e até razoável. Mas talvez não seja. Afinal, as pessoas mais ricas tendem a morar em áreas mais centrais, mais bem servidas por metrô, mais confortáveis de andar a pé, muitas vezes razoavelmente perto de seus empregos. Afinal, em uma hora de caminhada, conseguimos fazer uns quatro quilômetros sem muito esforço.
Então, por que os mais ricos não andam mais que as mais pobres e não menos?
Acho que a primeira razão é o preconceito contra o transporte público. Muitas pessoas dizem que o transporte é ruim e às vezes é mesmo, mas uma pesquisa do Nossa São Paulo mostrou que a avaliação sobre os ônibus piora entre os que nunca andaram de ônibus.  Você já deve ter ouvido isso: “quando o transporte melhorar, eu ando de ônibus”, mas o que muita gente está dizendo é: “eu não vou andar de ônibus nunca, e não vou nem testar”.
O prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, famoso por promover uma pequena revolução nos hábitos de deslocamento de sua cidade, disse uma vez uma frase: “a boa cidade não é aquela onde todos têm um carro, mas aquela onde quem tem um carro prefere andar de ônibus”.
Ora, em São Paulo, já existem ônibus com ar condicionado e que fazem pouco barulho interno (aqueles bi-articulados que andam nos corredores) e grande parte dos vagões do metrô já tem ar condicionado e são confortáveis fora do horário de pico. Ainda é pouco e tudo isso precisa ser estendido à frota toda e às estações, que ainda são muito desconfortáveis.
A questão é que quem não usa, não reclama, e sem reclamação e participação, a maior licitação de ônibus no mundo, que está em curso em São Paulo, corre o risco de dar pouco peso à satisfação dos usuários, apesar disso constar do texto legal. Quem está acostumado a serviços de primeiro mundo poderia e deveria dar palpites no nosso transporte para ajudá-lo a mirar na qualidade de primeiro mundo.
Outra razão para andarmos menos: “no Brasil, falta segurança”. Sim, é verdade, falta mesmo. Mas andar de carro talvez não seja muito mais seguro do que andar a pé ou de transporte publico e a segurança aumenta quando há mais pessoas nas ruas.
A questão, portanto, parece ser cultural. Quem tem dinheiro, vai de carro.
Andar a pé sempre foi visto como algo relegado a quem não conseguia comprar seu carro, daí até o sentido da palavra “pedestre” – rasteiro, desimportante. Nós nos acostumamos a ver pessoas chegando de carro num restaurante e sendo recebidas por um valet na porta, como se fosse um insulto ter que andar alguns quarteirões para parar o carro em algum lugar, ou, pior ainda, chegar a pé.
Mas isso está mudando, no mundo todo. Gente com muito dinheiro escolhe ir a pé ou de bicicleta. Em Wall Street, em NY, ou na City, de Londres, pessoas que ganham milhões (de dólares ou libras) por ano saem para almoçar a pé e no caminho de volta, passam numa farmácia, sentam num banco, pegam um sanduíche e aproveitam a cidade.
No Brasil, há alguns segmentos que parecem mais refratários à mudança.
Um deles é o dos políticos e pessoas com funções públicas – os juízes, os prefeitos, os vereadores, os secretários, os funcionários graduados da administração municipal e estadual, que ainda têm no carro com motorista um sinal de seu status. Ou seja, quem faz as leis, quem administra as calçadas, quem fiscaliza o cumprimento da boa educação no trânsito de um modo geral não se coloca na posição de quem anda. E isso faz com que a cidade fique de fora dessa visão mundial. Há exceções, claro.  Em São Paulo, o vereador Police Neto, por exemplo, abriu mão do carro oficial e faz seus deslocamentos em bicicleta ou transporte público. O secretário de Mobilidade da Prefeitura, Sergio Avelleda, também se desloca prioritariamente em bicicleta. São exceções bem-vindas, que deveriam em tese aumentar a empatia em relação a quem está na fila de um ponto de ônibus lotado ou quem tenta atravessar a rua numa faixa de pedestre.
Outro segmento é o dos que usam o carro como uma maneira de fugir da cidade,  do barulho, do calor e das pessoas. Hoje de manhã eu vi um carro de luxo, talvez fosse um Porsche, ou algo assim, passando a pelo menos 100km/hora numa rua de um bairro residencial. Sentado num banco confortável, ouvindo música alta, com o ar condicionado regulado para 21 graus, o sujeito atrás dos vidros escuros provavelmente viu a rua vazia e acelerou, sem ligar para as pessoas nas calçadas, passeando num domingo de manhã, com cachorros na coleira e um pai com duas crianças que se assustaram com o barulho do motor.
Mas, há mudanças acontecendo, há pessoas envolvidas com a melhoria da cidade e dos espaços públicos. Há empresários que investem recursos pessoais para plantar árvores em praças. Há comerciantes que cuidam das calçadas. Há uma nova geração de arquitetos e urbanistas e gestores públicos que se preocupam com a qualidade de vida na cidade, com a possibilidade de andar a pé e aproveitar a rua.

Compartilhamento de bicicletas em Londres. Foto: M.Calliari
Em algum momento na sua longa história, Londres já teve lama nas ruas, e os pedestres morriam de medo dos carros, o cheiro do Tâmisa era insuportável e a poluição matou mais de 4 mil pessoas no grande smog de 1952. Ou seja, tudo mudou por lá, graças à vontade muitos, desde os que andam nas ruas por falta de opção, mas principalmente graças à vontade dos que acreditam que andar de metrô e ônibus e a pé é o único jeito de uma cidade funcionar – quando todos podem se locomover juntos.
Torço para que o Washington Olivetto também ande muito em São Paulo e tenha uma boa experiência em nossas ruas. Torço também para que o prefeito João Doria caminhe por São Paulo. Só quem adota o ponto de vista do pedestre vai conseguir liderar a transição para uma cidade caminhável, com bom transporte público, alinhada com o que está acontecendo fora daqui.
Quem sabe não haverá um dia em que políticos, juízes, secretários, empresários, advogados, costureiras, engenheiros da CET, pedreiros, profissionais liberais, professores, estudantes, publicitários, empregadas domésticas, vendedores e porteiros se encontrem na mesma calçada, no mesmo vagão do metrô?
E que todos possam chegar com segurança e algum prazer aos seus destinos, exatamente como se estivessem em Nova York, Londres ou Paris?

Walmart negocia venda de participação no Brasil, dizem fontes


Loja da Walmart em São Paulo. Foto: Nacho Doce/Reuters


Reuters



O Wal-Mart Stores está em negociações com a firma de private equity Advent International Corp e outros fundos a venda de uma participação importante em suas operações no Brasil, informaram duas pessoas com conhecimento direto do assunto no domingo.

O Wal-Mart está sendo assessorado pelo Goldman Sachs & Co, de acordo com uma das fontes que falaram sob condição de anonimato. As outras empresas de private equity que estão avaliando o investimento na unidade brasileira são GP Investments Ltd e Acon Investments LLC, acrescentou a fonte.

Representantes do Wal-Mart no Brasil se recusaram a comentar. Advent e GP se recusaram a comentar. Goldman e Acon não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.


Rombo da Previdência atinge recorde de R$ 268,7 bilhões em 2017

Montante inclui trabalhadores do setor privado e funcionários públicos



O secretário de Previdência, Marcelo Caetano, apresenta o resultado de 2017 - Jorge William / Agência O Globo

Geralda Doca - O Globo



O sistema de aposentadoria dos trabalhadores do setor privado (INSS) fechou 2017 com déficit de R$ 183,9 bilhões (considerando a inflação). Em 2016, o rombo foi de R$ 155 bilhões - o que representou alta de 18,7%. No ano passado, o governo arrecadou R$ 377,6 bilhões com as contribuições previdenciárias e teve um gasto de R$ 561,5 bilhões com pagamento de benefícios. Já o regime próprio (dos funcionários públicos federais,incluindo os militares das Forças Armadas), apresentou déficit de R$ 86,3 bilhões - elevação de 11,9% na comparação com o rombo registrado em 2016. Somando os dois regimes, o rombo chegou a R$ 268,7 bilhões em 2017 ( em valores nominais). A despesa total com Previdência atingiu R$ 700,6 bilhões.

Em 2016, o déficit total da Previdência foi de R$ 226,8 bilhões. Ou seja, o rombo cresceu R$ 41,9 bilhões em um ano (em valores nominais).

Segundo o secretário da Previdência os resultados são recordes e reforçam a necessidade de aprovação da reforma da Previdência. Ele destacou que se a proposta não for aprovada este ano, será necessário cortar no valor dos benefícios.

— A gente observa que o déficit da Previdência vem crescendo num ritmo muito acentuado e num sistema muito desigual.É necessário fazer uma reforma para quebrar privilégios, para dar tratamento mais igualitário e obter as economias por meio das pessoas de renda mais alta, preservando os benefícios das pessoas de renda mais baixa(...) Países que não enfrentaram a realidade tiveram que cortar o valor do benefício. Então, o Brasil tem tempo suficiente para fazer uma reforma da Previdência, dá para fazer uma reforma preventiva para impedir situações que ocorreram em países como Portugal e Grécia — destacou o secretário.

Ele disse que o governo está ouvindo setores envolvidos, como os funcionários públicos, mas sem o compromisso de fazer novas concessões.Apesar das dificuldades do Planalto em obter os 308 votos necessários, Caetano afirmou que o Executivo trabalha para aprovar a reforma da Câmara dos Deputados em meados de fevereiro. Ele evitou comentar a declaração do presidente da Casa, Rodrigo Maia, sobre a falta de otimismo em relação à matéria.

Ao divulgar os dados consolidados dos regimes de Previdência, Caetano alertou que as despesas com benefícios vem crescendo em ritmo superior às receitas e que a tendência é que os déficits vão se aprofundar por causa do envelhecimento acelerado da população. 

Os déficits crescem tanto em termos nominas, quanto em proporção ao PIB (Produto Interno Bruto), observou.

Só no caso do INSS, o rombo que era equivalente a 1% do PIB em 2014, passou 1,4% em 2015; chegou a 2,4% em 2016 e 2,8% no ano passado. A previsão é que déficit alcance R$ 192,8 bilhões neste ano.

Caetano destacou que qualquer alteração na proposta da reforma terá que considerar três fatores: redução da desigualdade (o INSS paga 34,4 milhões de trabalhadores, enquanto o regime próprio da União, um universo de um milhão de servidores); impacto nas contas públicas e se a mudança vai melhorar o ambiente e facilitar a aprovação da reforma.

REFORMA

A reforma da Previdência é um dos desafios do presidente Michel Temer em 2018. Na semana passada, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), admitiu que será difícil aprovar a proposta em fevereiro. Ele defendeu que o governo recomponha a base aliada e busque apoio dos governadores. Já em resposta ao pessimismo de Maia, o ministro da secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou que o “plano do governo é o plano A, de aprovar” a reforma. Ele concorda que a questão deve ser definida em fevereiro.



A espetacular jogada de Messi que até os rivais aplaudiram

Torcedores do Betis se renderam ao talento do argentino após uma arrancada, na goleada por 5 a 0 do Barcelona, em Sevilha


Veja


Lionel Messi não se cansa de impressionar torcedores pelo mundo e neste domingo até mesmo o público adversário, do Real Betis, se rendeu ao talento do craque argentino do Barcelona
O camisa 10 já havia marcado dois belos gols quando, aos 86 minutos, voltou para ajudar a defesa e se livrou de três defensores – o último deles quase caiu e ainda levou uma impiedosa bola por entre as pernas. 
O público no Estádio Benito Villamarín reconheceu a genialidade de Messi com gritos e aplausos. 
O argentino ainda teve tempo de contribuir com mais uma assistência, para Luis Suárez, na goleada por 5 a 0. 
O Barcelona lidera o Campeonato Espanhol com 54 pontos, 11 a mais que o vice-líder Atlético de Madrid, e Messi é o artilheiro do torneio com 19 gols.

Ascensão de bilionários foi recorde em 2017