quinta-feira, 23 de novembro de 2017

PMDB decide expulsar a senadora Kátia Abreu, ex-pefelista, do partido

Renan Truffi e Thiago Faria, O Estado de S.Paulo


                                                                                                                                                                       
O Conselho de Ética do PMDB decidiu, nesta quinta-feira, 23, expulsar do partido a senadora Kátia Abreu (TO). O colegiado acompanhou, por unanimidade, recomendação de parecer pelo cancelamento da filiação partidária da senadora. O motivo é a postura crítica dela ao governo de Michel Temer e o fato de atuar de forma contrária às orientações do Palácio do Planalto no Senado.

A medida será acatada de imediato pelo presidente do partido, senador Romero Jucá (RR), que elogiou a decisão por meio de nota à imprensa. "A medida demonstra nova fase de posicionamento do partido", afirmou.






A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO)  Foto: Dida Sampaio | Estadão


Kátia Abreu ainda não se posicionou publicamente sobre o assunto, mas já deu indicações de que deve deixar a sigla. Segundo informações de sua assessoria de imprensa, a parlamentar está em missão oficial no Qatar, onde se reúne hoje com investidores árabes para apresentar o potencial agropecuário do Matopiba, região entre os Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Antes da expulsão, o Conselho de Ética já havia suspendido a senadora das atividades partidárias temporariamente. Na época em que o processo começou a ser analisado pelo Conselho de Ética da legenda, a senadora encaminhou defesa na qual apontava "vícios processuais" no pedido de expulsão.

Além disso, ela havia pedido para que fossem ouvidos 24 testemunhas, incluindo o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e os ministros Leonardo Picciani (Esportes) e Gilberto Kassab (Comunicações).

Como o corpo reage a cada bebida alcoólica

Sono, energia, tristeza ou confiança? Um estudo britânico revelou quais reações os diferentes tipos de bebida alcoólica causam

Veja



Vinho tinto e cerveja
Vinho tinto e cerveja (iStock/Getty Images)



Um novo estudo, publicado no periódico científico British Medical Journal, mostrou como cada escolha entre as bebidas alcoólicas pode afetar as emoções e o comportamento das pessoas.

Segundo os cientistas, o vinho e a cerveja são as bebidas que mais causam sensação de relaxamentosono – e até mesmo cansaço, em alguns casos. Já se a intenção é sentir-se mais confiante e enérgico, os destilados são as melhores pedidas. No entanto, eles também podem deixá-lo mais propenso à tristeza e à agressividade.

Reações positivas e negativas

Cerca de 30.000 pessoas, entre 18 e 34 anos, de diversos países responderam a um questionário anônimo, Global Drug Survey, sobre hábitos de consumo de álcool e outras drogas. Depois de analisarem como os participantes reagem a cada bebida, os cientistas descobriram que 53% s sentem relaxados ao beber vinho tinto e 33%, vinho branco. Essa sensação também é notada quando bebem cerveja, com cerca de 50% dos participantes.

Já cerca de 60% dos participantes dizem sentir mais confiança e energia, e 42% sentem-se mais atraentes, com os destilados – como cachaça, vodca, gim, tequila, uísque e rum. Por outro lado, essas bebidas também provocam reações negativas. Cerca de 30% ficam mais agressivos e inquietos, e 22% ficam mais tristes. Mas isso não se restringe aos destilados: os vinhos também foram associados à fadiga e ao cansaço por 60% dos participantes.

Diferentes hábitos

As reações podem se tornar mais ou menos intensas de acordo com o padrão de consumo, idade, sexo, status socioeconômico e escolaridade. Os participantes que apresentaram um consumo mais intenso do álcool reportaram mais reações, tanto positivas quanto negativas. Todas as emoções foram sentidas na mesma proporção por participantes de ambos os sexos – com exceção da agressividade, que foi mais percebida entre os homens.

Além disso, os efeitos de relaxamento e cansaço foram mais percebidos quando as bebidas eram consumidas em casa, enquanto maior confiança e agressividade quando bebiam em um bar, por exemplo.

Ainda não se sabe por que cada bebida promove um efeito diferente, mas os pesquisadores acreditam que isso pode estar relacionado ao fato de que elas têm ingredientes, porcentagens alcoólicas e doses (como e onde são tipicamente consumidas) diferentes. Outra hipótese é a de que as pessoas escolhem a bebida já pensando no efeito que ela vai causar – tendo como base aspectos sociais e culturais de cada tipo de álcool, assim como as propagandas.



Vitamina D pode prevenir a artrite reumatoide, mostra estudo

Vitamina D
Para quem já sofre da doença, é improvável que somente a
suplementação ofereça algum benefício, pois as células imunes
já não são mais sensíveis à vitamina. A nova descoberta pode
levar ao desenvolvimento de um novo tipo de tratamento, uma
correção para essa reação. (iStock/Getty Images)


Veja

A artrite reumatoide é uma doença autoimune que causa inflamação crônica, geralmente nas articulações. Por atacar o próprio sistema imunológico, a sensibilidade do organismo à vitamina D, que possui efeitos anti-inflamatórios, pode cair. No entanto, a suplementação pode ajudar a prevenir a doença e possivelmente, em doses maiores, beneficiar quem já sofre dela, segundo um novo estudo publicado no periódico científico Journal of Autoimmunity.

O estudo

Pesquisadores da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, analisaram amostras de sangue e fluido das articulações de 15 pacientes, entre 40 e 85 anos, com artrite reumatoide. Esse é o primeiro estudo do gênero a utilizar células do sistema imune retiradas tanto do sangue quanto do líquido sinovial de pessoas com artrite.

“Diferente dos trabalhos anteriores, isolamos diferentes tipos de células do próprio local da inflamação para determinar se as células específicas do sistema imunológico tinham a mesma sensibilidade para a vitamina D”, explicou Martin Hewison, um dos autores do estudo.

Prevenção

Com base nos resultados, os cientistas concluíram que manter os níveis de vitamina D saudáveis pode ajudar a prevenir a artrite reumatoide, assim como outras doenças inflamatórias. No entanto, para quem já sofre da doença, é improvável que somente a suplementação ofereça algum benefício, pois as células imunes já não são mais sensíveis à vitamina.

Possível tratamento

Por outro lado, os pesquisadores acreditam que a vitamina pode ser reposta em doses maiores ou que a nova descoberta pode levar ao desenvolvimento de um novo tipo de tratamento, uma correção para a falta de sensibilidade à vitamina.
“Nossos achados foram inesperados, pois inicialmente achamos que as células das articulações inflamadas responderiam tão bem à vitamina D quanto as células do sangue”, disse Karim Raza, principal autor da pesquisa. “Dessa forma, doses mais altas da vitamina podem ser necessárias ou, quem sabe, um novo tratamento com foco na reação à vitamina pode ser a solução.”


Brasil testa novo tratamento contra refluxo

O tratamento consiste em uma sessão de 30 minutos de ondas
de rádio que são direcionadas para o músculo entre o estômago
e o esôfago, fortalecendo a estrutura (iStockphoto/Getty Images)

Veja


Um tratamento inédito no Brasil pode tornar-se um aliado para quem quer tratar o refluxo sem cirurgia ou utilizando medicamentos. Presente em mais de 40 países, o Sistema Stretta foi utilizado pela primeira vez em setembro na Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) e tem como objetivo fortalecer a musculatura do esôfago, que, quando apresenta frouxidão, permite que o suco gástrico suba do estômago e atinja o órgão, causando incômodo, ardência, dificuldade de deglutição e azia.

Coordenador do serviço de endoscopia da faculdade, o gastrocirurgião Eduardo Grecco explica que os resultados no exterior foram positivos e há um protocolo de estudo para verificar os efeitos do procedimento em pacientes brasileiros. “É um tratamento rápido, feito em uma sessão única de 30 minutos. O paciente acorda bem, recebe orientações para a dieta e vai para casa. Ele vai ser acompanhado por quatro a seis semanas, utilizando a medicação que está habituado e, depois, vai suspender a medicação.”

O método é uma terapia pouco invasiva que consiste em emitir energia de radiofrequência para o músculo entre o estômago e o esôfago, fortalecendo a estrutura. Isso faz com que as paredes funcionem como uma espécie de “barreira” que impede que os fluidos subam e causem o refluxo.

A cirurgia, segundo ele, resolve 70% dos casos e tem eficácia que varia de cinco a sete anos para 30% dos pacientes que enfrentam o procedimento. Mas há os desconfortos ligados ao processo cirúrgico. “Tem corte, anestesia geral e o paciente fica de uma semana a dez dias com dificuldade para se alimentar. Com o Stretta, ele tem dor e desconforto leves, mas já volta à dieta geral a partir do terceiro dia. Quanto menos invasivo, mais rápida a recuperação, menos riscos de infecção e menos efeitos colaterais.”

Pioneiro

O escriturário Renan Rodrigues Cayres, de 25 anos, foi o primeiro paciente a ser submetido ao Stretta. Ele começou a perceber os sintomas do refluxo aos 15 anos. “Não era todos os dias, mas isso foi me acompanhando durante os últimos dez anos.” Ele se interessou pelo procedimento assim que o conheceu. “Além de não ser um processo cirúrgico, tem o efeito de poder suspender a medicação, que tem efeitos agressivos e é muito cara.”

Eduardo Grecco afirma que o tratamento precisa da colaboração dos pacientes. “Não adianta continuar com os erros alimentares. O método vai melhorar a capacidade do esôfago para o refluxo, mas o paciente não vai ficar livre para sempre. A pessoa pode ter quadros agudos, principalmente se extrapolar em uma festa.”

"Votação sobre foro privilegiado pede um Supremo transparente", por Joaquim Falcão

O Globo


Está pautada para a sessão de hoje no Supremo, a decisão sobre o foro privilegiado. Ou ficamos com este sistema onde cerca de 37 mil políticos são cidadãos processualmente privilegiados, ou apostamos em regra que nos iguala diante da lei. Hoje são julgados pelos potenciais crimes -- inclusive de estupro, assédio sexual, lavagem de dinheiro, improbidade administrativa -- de forma diferenciada.

Um cidadão não pode ser julgado como político quando comete atos como cidadão. Também não pode arrastar para o Supremo um processo que começou em outro tribunal.

O voto de Luiz Roberto Barroso desfaz esta confusão. O foro privilegiado incidirá apenas em relação aos atos cometidos durante o exercício do mandato e se guardar relação com o mandato. O que, segundo os dados de relatório do Supremo em Números da FGV Direito Rio, faria com que nos últimos 10 anos houvesse tramitado no tribunal tribunal apenas 1 de cada 20 ações penais do foro.

Colocaria o Brasil em rota civilizatória.

A ministra Cármen Lúcia pautou o caso. Mas alguns ministros contrários à proposta de Barroso não querem votar. Têm medo de perder.

A questão institucional então é muito clara. É possível que a Presidente do Supremo paute um assunto de relevância nacional, e ministros se recusem a votar pelo risco de perder?


Esperamos que não aconteça, para o bem da democracia brasileira. Mas está em curso uma tentativa de obstruir a votação. Paralisar o Supremo. Como?

Ministros considerariam pedir vista do processo, retardando a devolução para além do prazo adequado. Um ou outro. Ou um após o outro. Elaborar votos longos, de horas, durante a sessão, para que ela termine antes da votação. Etc...Etc...

No fundo, o Supremo é o coração da justiça. Esta tentativa de obstrução é tentativa de isquemia, angina, ou mesmo enfartar o Supremo. Entupir o processo decisório. Enfarte. Obstrução que pode matar. Mas matar o Supremo? Como?

Obstruindo o sangue da legitimidade democrática que justifica sua existência. Estancando o fluxo de respeito e de obediência, o sangue da cidadania, que lhe dá vida.

Se isto infelizmente ocorrer, restaria aos ministros obstruídos antecipar seus próprios votos.

Desobstruir a obstrução da coronária do Supremo com uma ponte safena de transparência.

Holanda, vida louca na bicicleta

Mônica Nóbrega, O Estado de São Paulo

Na Holanda, a menor distância entre dois pontos é sempre uma ciclovia. E a maior, um carro. Eu sei, qual a novidade? Você cansou de ver aquelas fotos instagramáveis de bicicletas encostadas na gradinha dos canais de Amsterdã. São lindas mesmo, fazem suspirar, mas não é delas que falo aqui.





Bicicleta e os canais de Amsterdã: pura inspiração.  Foto: Bruna Toni/Estadão
A novidade é que quando digo menor distância, estou sendo literal. As ciclovias deste país – afirmo com a autoridade de quem visitou cinco cidades nos últimos dias – são feitas para serem rápidas, retilíneas, capilarizadas e fáceis de usar. O máximo possível.
Já os carros, ah, os carros. Eles demoram. Dão voltas demais. Se enrolam e enrolam a vida de quem está dentro. Ficam presos em semáforos que demoram a lhes dar passagem e, quando ficam verdes, é por poucos segundos; logo vem de novo a luz vermelha e as bicicletas voltam a ganhar a rua.
Para dar uma ideia, do meu hotel em Utrecht à Estação Central de trens, trajeto que fiz algumas vezes, eram 3,2 km e 13 minutos pedalando. De táxi, que usei no último dia para poder ir com a mala pegar o trem, 5 km em 26 minutos. Foram tantos sinais vermelhos, voltas e retornos que a corrida saiu por 17,90 euros. Quase meia hora e 70 reais para um deslocamento de 5 km.
Em Amsterdã, ao perguntar no centro de informações turísticas onde poderia pegar um táxi para um determinado lugar, recebi da atendente uma cara de incredulidade, seguida da resposta: “Mas por que você faria isso?”. Mesmo na tarde chuvisquenta, ela me convenceu de que um carro era a pior escolha.
Modos de usar. Mas, embora a bicicleta seja o jeito mais gostoso, barato e racional de turistar na Holanda, pedalar aqui não é apenas uma brincadeirinha turística. A bike é o transporte de todo dia da maioria da população. De terno, de saia, de salto, com laptop no alforje, o pessoal pedala para ir trabalhar, fazer mercado, voltar da faculdade, levar filho para a escola. Ou seja, estão com pressa.
A bike é unidade de medida das distâncias. Quer saber se a pessoa mora longe do centro? “Vinte minutos de bicicleta”, é o que se escuta como resposta. Os “estacionamentos” de bicicletas podem ser bem lotados.







'Estacionamento' abarrotado no centrão de Haia: mais praticidade, menos glamour.  
Foto: Mônica Nobrega/Estadão

Por isso, para turistas, a vida nas ciclovias pode causar algumas dúvidas e sustos – mas só no começo e aprende-se muito rápido, juro. Nem toda parte é linda como os centros históricos de Amsterdã e Utrecht (mas a maioria é). Em Haia tem umas avenidonas feiosas e uns pedaços em reforma que nem de longe se parecem com city tour. Ah, e as motos e lambretas usam também a ciclovia. São muitas.
Em várias ruas é difícil distinguir o que é ciclovia do que é calçada do que é rua do que é trilho de tram. Os meios de transporte compartilham (mesmo) todos os espaços: carros chegam a subir na calçada nas ruas estreitas, ônibus passam por cima dos trilhos, pedestres andam pela ciclovia se for preciso.
No meio de tudo isso, o que o ciclista forasteiro precisa é aprender a “dar seta”. Isso é feito apontando com um dedo o lado para o qual você vai virar. Pronto, todo mundo dá passagem. O que nos leva ao segundo aprendizado, confiar. Algo que é especialmente difícil para os maltratados ciclistas paulistanos. A gente tem medo, e com razão. Mas na Holanda, os carros e os ônibus não correm. Eles dão passagem o tempo todo.
“Na Holanda todo motorista é, ele mesmo, um ciclista. Então ele vai dar passagem”, me garantiu o guia Jitte Roosendaal, ao ver o meu medo de atravessar uma avenida em Utrecht.
É o sonho de cidade amigável, aberta a todas as possibilidades de mobilidade. Reconheço e admiro, sem nenhum complexo de vira-latas e cheia de inspiração: os holandeses conseguiram.

Dodge suspende punição a subprocurador-geral

Frederico Vasconcelos, Folha de São Paulo

“Diário Oficial da União” desta quinta-feira (23) publica portaria da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que suspende os efeitos de portaria anterior, assinada por Rodrigo Janot, aplicando suspensão por 90 dias e censura ao subprocurador-geral Dilton Carlos Eduardo França. (*)
A punição havia sido determinada com base em decisão do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), sob a alegação de abandono de cargo e recebimento indevido de auxílio-moradia.
A penalidade foi aplicada em setembro, apesar de liminar concedida em agosto pela juiza federal Diana Maria Wanderley da Silva, do Distrito Federal, suspendendo a decisão do CNMP até o julgamento final da ação.
Em comentário ao Blog, França afirmou que “o colega PGR Rodrigo [Janot] certamente não foi cientificado da liminar, ao baixar a referida portaria, clara e juridicamente ineficaz”.
“É apenas um rematado absurdo, num colegiado desencontrado, em final de mandato, que não se deteve com os cuidados necessários à prova dos autos”, afirmou na ocasião o subprocurador-geral.
“O colega PGR Rodrigo [Janot] certamente não foi cientificado da liminar, ao baixar a referida portaria, clara e juridicamente ineficaz”, disse França.
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(*) PORTARIA N° 1.094

Petros vai à Justiça contra ex-dirigentes por perdas em investimentos

Luciano Claudino/Código19/Folhapress
Refinaria da Petrobras em Paulínia
Refinaria da Petrobras em Paulínia

Transações do Brasil no ano com o exterior, mesmo deficitárias em US$ 3 bilhões, é o melhor resultado em dez anos

Maeli Prado - Folha de São Paulo



As transações do Brasil com o exterior ficaram negativas em US$ 343 milhões no mês passado, o melhor resultado para outubro desde 2007, divulgou o Banco Central nesta quinta-feira (23). No acumulado do ano, as transações do Brasil com o exterior são deficitárias em US$ 3 bilhões, também o melhor resultado em dez anos.

O resultado do mês passado foi influenciado pelo desempenho da balança comercial, com as exportações superando as importações em US$ 4,9 bilhões.

No caso da balança de serviços, que foi impactada principalmente por viagens e aluguel de equipamentos, o deficit foi de US$ 2,7 bilhões.

Os brasileiros gastaram US$ 1,6 bilhão em viagens ao exterior no mês passado, um crescimento de 15% na comparação com outubro de 2016.

Na outra ponta, os estrangeiros gastaram US$ 463 milhões, o que determinou um resultado negativo de US$ 1,1 bilhão na balança de viagens.

Além disso, as despesas de empresas do Brasil com aluguem de equipamentos no exterior totalizou US$ 1,2 bilhão, o que também influenciou no deficit de serviços.

As remessas de lucros e dividendos ao exterior tiveram deficit de US$ 835 milhões no mês passado.

O investimento direto no Brasil somou US$ 8,2 bilhões em outubro —desse total, US$ 5,9 bilhões foram participação no capital e US$ 2,4 bilhões em operações intercompanhia.

O resultado veio pouco abaixo dos US$ 8,4 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado.

Metade das crianças de 8 e 9 anos do país não está alfabetizada

Contas Abertas


O movimento Todos Pela Educação apresentou em audiência pública na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados análise de pesquisa sobre o nível de alfabetização no país. De acordo com os dados, metade das crianças de 8 e 9 anos que estudam em escolas públicas do país não está alfabetizada.
A análise foi baseada na Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), do Ministério da Educação. Os dados apontam que cerca de um milhão de crianças do ensino fundamental não está com nível de aprendizagem considerada suficiente em leitura, escrita e matemática.
O exame foi aplicado no ano passado para 2,1 milhões de alunos da 3ª série de 48 mil escolas públicas.
A pesquisa apontou que menos da metade das crianças (45%) tem desempenho suficiente em leitura e matemática. O índice é um pouco melhor em escrita, com 66%. Em matemática, as maiores notas são da região Sudeste, mas mesmo assim apenas pouco mais da metade (57,3%) dos alunos apresentou desempenho considerado satisfatório
Segundo o gerente de políticas educacionais do movimento Todos pela Educação, Gabriel Corrêa, que apresentou os dados para os deputados, o resultado mostra um quadro gravíssimo, que compromete o futuro do país. Como exemplo, Corrêa destacou que metade das crianças não conseguiu calcular, por exemplo, quanto é 112 mais 93.
"O resultado é um fracasso e desanimador. Não haverá mudanças significativas no país se não melhorarmos a educação. Essa área é fundamental para o crescimento econômico, desigualdade social, segurança pública, saúde e ética, aspecto crucial para o combate à corrupção”, disse.
Outro dado ressaltado por Côrrea em relação à pesquisa foi a desigualdade provocada pela diferença de renda. Escolas públicas localizadas em regiões de nível econômico baixo só conseguem ensinar matemática para 14% dos alunos. Em regiões de padrão econômico alto, o índice sobe para 88%. Nesse aspecto, Corrêa lembrou se fossem consideraradas as escolas particulares, o nível de desigualdade regional seria ainda maior.
O caso Ceará
Apesar do cenário desanimador, o movimento Todos Pela Educação apontou que é possível realizar avanços significativos, como fez o Ceará. Em 2007, 90% dos municípios do estado não conseguiam alfabetizar nem metade dos alunos. Em 2015, 77 escolas públicas cearenses estavam dentre as 100 melhores do país. Para Corrêa, isso mostra que é 
possível fazer avanços, mesmo em situações socioeconômicas mais vulneráveis.
Entre as medidas tomadas pelo Estado do Ceará nos últimos anos estão a cooperação técnica e financeira entre Estados e Municípios, a formação de professores e apoio pedagógico, o acompanhamento frequente do nível de aprendizagem dos alunos e a gestão escolar na escolha de diretores, por exemplo.
“As ações tiveram continuidade e progressividade. Não é fruto de um governo apenas, mas da construção de uma política pública com muitos partidos. Assim, é possível observar uma transformação significativa em apenas oito anos no estado”, afirma Corrêa.

"Ou envelheci ou o mundo se tornou complexo", diz Gabeira, tema de filme


Fátima Sá - O Globo


Moacyr Goés levou um ano para convencer Fernando Gabeira. Os dois se conhecem desde 2008, quando o diretor foi convidado a tocar a campanha de TV do jornalista para a prefeitura do Rio. Na época, Eduardo Paes acabou eleito. Em 2010, Góes voltou a dirigir a campanha de TV de Gabeira ao governo do estado. Deu Sérgio Cabral. Mas um não perdeu o outro de vista. O ex-deputado federal deixou Brasília, mergulhou no Brasil, e Góes seguiu de olho. Um dia, fez a proposta. E um ano depois, recebeu o sim. Hoje, quando “Gabeira”, o documentário, chega aos cinemas, Gabeira, o homem, anda em Mambai, na divisa de Goiás com a Bahia. Pesquisa o Refúgio de Vida Silvestre das Veredas do Oeste Baiano para seu programa semanal na GloboNews.

— Ele ainda está no meio do mundo — diz Moacyr Góes.

Aos 76 anos, o meio do mundo de Fernando Gabeira pode ser o refúgio na Bahia, a Reserva Nacional do Cobre, no Amapá, ou a cidade de Mariana depois do desastre da Samarco.

— Tenho viajado de ponta a ponta. A ideia que tenho do país é transmitida por gente simples que trabalha duro. Em relação ao passado, graças aos novos meios, tenho sentido um nível maior de informação sobre o país. Sinto um desejo difuso de mudança, misturado às vezes a um certo desânimo, exceto talvez em quem já tem candidato a presidente — conta, por e-mail, enquanto viaja sozinho com o motorista Mauricio de Souza, que fez curso de áudio e também capta o som.

O restante do trabalho na rua é feito pelo próprio jornalista-apresentador.

— Parto sempre no meio da semana e chego ao Rio no sábado. No domingo, escrevo o programa, e ele é editado com as indicações que sugiro. No caminho, escrevo a coluna do GLOBO e um artigo quinzenal para o “Estadão”. Uso as viagens de avião para ler, assim como as horas vagas no Rio para estudar um pouco mais. Nisso tudo, tento encontrar tempo para nadar e andar de bicicleta.


DA INFÂNCIA ÀS DESILUSÕES

No filme, Gabeira tem sua vida contada desde a infância em Juiz de Fora, quando descobriu que não levava jeito para a vida doméstica e barbarizava na escola (a prima Leda Nagle entrega), até o rompimento com o PT e as desilusões políticas. Além de muitas imagens de época, a história é pontuada por depoimentos. Estão lá falas do próprio personagem, de amigos como Ferreira Gullar (talvez a última entrevista filmada do poeta, morto em 2016) e Caetano Veloso, além de um comentário do ex-embaixador americano Charles Elbrick (morto em 1983), cujo sequestro em 1969 rendeu nove anos de exílio ao então guerrilheiro Gabeira.

Foi justamente no exílio, ao conhecer outras realidades, que o jornalista-militante se deu conta de que os direitos civis, já muito presentes na Europa, ainda não eram pauta da esquerda brasileira.

— A ficha não cai de uma vez — diz ele. — Vários fatores se combinam: o conhecimento do chamado socialismo real, o fracasso da resistência armada, a insatisfação com a teoria marxista e a incursão pela antropologia. A influência e o peso das mulheres são muito nítidos no norte da Europa. Infelizmente, essas novas lutas acabaram tomando um sentido que nem sempre leva ao crescimento mas, ao contrário, a uma reação forte de pessoas que se sentem inseguras diante das mudanças. Penso muito na vitória do Trump nos EUA e sempre me pergunto se foi mérito dele, ou se o campo chamado liberal não cometeu erros que poderiam ser evitáveis, o maior deles a própria arrogância.

De volta ao Brasil com a anistia, Gabeira surgiu, portanto, como o militante libertário, defensor da sexualidade livre, dos direitos civis, da ecologia. Daí o frenesi que causou ao surgir de tanga de crochê na praia em 1980, num dos mais conhecidos episódios que são lembrados no filme.

— Não imaginei causar polêmica e, quando percebi que estavam jogando amendoim, deixei de ir à praia — ele conta.

As filhas, Tami e Maya, alguns amigos, os casamentos (hoje ele é casado com Neila Tavares), a autoironia ao falar da campanha para a presidência, em 1989, também estão lá, mas não espere por muita intimidade. Gabeira é bastante reservado.

— Eu quis fazer um filme sobre o pensamento dele, para apresentar às novas gerações. E para lembrar às antigas também. Em tempos como os atuais, acho importante que se olhe para alguém assim. Um homem público, que não se prende a nada material — afirma Moacyr Góes, que diz ter material suficiente para um segundo filme ainda.

TRANSPARÊNCIA E ERROS PÚBLICOS

O documentário louva a atuação de Gabeira no Congresso, destacando episódios como seus lendários discursos contra Severino Cavalcanti e Renan Calheiros. Mas não deixa de fora um momento desabonador, quando o então deputado federal confessou ter sido um dos que usaram em benefício de terceiros a cota de passagens aéreas a que tinha direito como parlamentar.

— Meus erros políticos são públicos — ele diz. — Aliás esse é o tema central da responsabilidade com o outro. Passei anos escrevendo e falando sobre os erros da luta armada. Da mesma forma, prestei conta dos meus erros durante os 16 anos de vida política.

Ainda assim, Gabeira jura que não tem vontade de voltar à Câmara.

— Era muito duro trabalhar lá. Você não vê a noite chegando. O prédio, com todo o respeito pelo Niemeyer, não é para mim um lugar ideal de trabalho. Além disso, há as pessoas. Com raras exceções, as mesmas de sempre estão piores e chegaram outras que são também desalentadoras.

Em tempos polarizados, onde está Gabeira?

— No meu entender, as pesquisas revelam duas posições nostálgicas: a volta do PT e um certo saudosismo do período militar. Se disser que sou hoje uma pessoa que apoiaria uma posição de centro, estou seguro de que provocaria riso nos radicais. Afinal, associam centro com covardia. No entanto, nas trágicas condições em que meteram o Brasil, só uma força disposta a unir todos em torno do essencial poderia realizar a tarefa de reconstrução. Minha preocupação é encontrar o caminho para que pessoas diferentes cheguem a um denominador comum. Enfim, ou eu envelheci ou o mundo se tornou mais complexo do que supunham meus sonhos de juventude.





Odebrecht inicia mudança de nome de empresas para atrair novos sócios. Vai sumir com a cor vermelha, que lembra a organização criminosa do Lula

Mário César Carvalho - Folha de São Paulo


Odebrecht decidiu mudar o nome das empresas que integram o grupo para facilitar a entrada de novos sócios nesses negócios e tentar espantar a associação da marca com corrupção.

A primeira empresa a sumir com a marca Odebrecht e a cor vermelha que marcava o logotipo do grupo é a Odebrecht Realizações Imobiliárias, que voltou a chamar OR, com logotipo em cinza esverdeado ladeado por uma seta em laranja.

Em agosto, a Braskem, sociedade da Odebrecht com a Petrobras, já havia tirado o vermelho do seu logo.

Folha revelou em janeiro que o grupo estudava mudar o nome de suas empresas para fugir da fama de ser considerada a empresa mais corrupta do mundo.

A Odebrecht ganhou essa reputação depois de ter concordado em pagar a maior multa do mundo em acordos para encerrar investigações sobre pagamento de propina, de R$ 8,4 bilhões.


PROPINA

Apesar de atuar no mercado privado, a OR também se envolveu com corrupção, de acordo com o acordo de delação da Odebrecht. Executivos contaram que um empreendimento da OR, o Parque da Cidade em São Paulo, pagou propina de R$ 6 milhões para conseguir alvarás. Houve também contribuições para atrair a Previ, fundo de previdência do Banco do Brasil, para a sociedade.

Marcelo Odebrecht disse em seus depoimentos que a entrada do Previ no empreendimento foi acertada com dois deputados do PT (Carlos Zarattini e Cândido Vaccarezza), e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega deu a "aprovação final" –o que todos negam.

O fundo de previdência pagou R$ 800 milhões por uma das torres e o shopping do Parque da Cidade, um complexo que mistura torres comerciais, residencial e um shopping.

Em contrapartida, a Odebrecht doou R$ 27 milhões ao PT, ainda segundo a delação de executivos do grupo.

A OR já teve como sócio a Gávea Investimentos, que comprou 14,5% da empresa em maio de 2010.

O parceiro deixou o negócio no final de 2014, quando a Lava Jato já alcançara a Odebrecht.

A mudança na marca ocorre porque uma avaliação interna aponta que a marca Odebrecht virou tóxica entre investidores.

A OR já foi a maior empresa de construção civil do país, em 2012 e 2013, segundo critérios da revista "Exame". Criada em 2007, a empresa lançou 82 empreendimentos no valor de R$ 20,2 bilhões, contabiliza vendas de R$ 15,9 bilhões e emprega cerca de 3.300 funcionários.

Em 2013, quando a Odebrecht adotou a política de ter uma única marca, a OR passou a ostentar o nome do grupo em letras grandes, sobre a expressão Realizações Imobiliárias, em letras menores.

A política de uma só marca, implantada por Marcelo Odebrecht, acabou-se revelando desastrosa com a descobertas da Lava Jato.

A prática de suborno, que poderia ter ficado contida na CNO e na Odebrecht Óleo e Gás, que atuam em negócios com o governo, contaminou todas as empresas do grupo.

As próximas empresas que devem mudar de nome são a Odebrecht Óleo e Gás e a Odebrecht Agroindustrial, segundo a Folha apurou. Ambas já tiveram sócios, que deixaram o negócio após a Lava Jato.

Não há planos de mexer no nome da holding (Odebrecht S.A.) nem no da Construtora Norberto Odebrecht por uma razão simples: elas não estão atrás de sócios até agora.
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CARA NOVA

Odebrecht muda nome de empresas e tira vermelho das marcas

OR
Novo nome da Odebrecht Realizações Imobiliárias, divisão de empreendimentos imobiliários. Saem a marca Odebrecht e o vermelho

Odebrecht TransPort
Empresa do grupo que atua em infraestrutura como mobilidade urbana, portos, rodovias e aeroportos. Deve ganhar novo nome

Odebrecht Agroindustrial
Atua na produção e na comercialização de etanol e de energia a partir da biomassa e açúcar; deve ter novo nome

Odebrecht Óleo e Gás
Atua na operação de sondas e plataformas de petróleo. Também deve ganhar novo nome e logomarca, sem a cor vermelha

Braskem
Sociedade da Odebrecht com a Petrobras na área de petroquímica, tirou o vermelho do seu logo em agosto passado

Foro privilegiado e obstrução judicial no STF



Felipe Recondo - Jota, com Folha de São Paulo



Todos os ministros do Supremo Tribunal Federal, sem exceção, já manifestaram posição sobre foro privilegiado. Ou no plenário do Supremo exclusivamente, caso da ministra Rosa Weber, ou na imprensa ou nas respectivas sabatinas, como o fizeram Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

Não há, por isso, dúvida sobre o posicionamento da quase totalidade dos juízes do Supremo, muito menos possa se dizer que algum ministro desconhece o tema. Portanto, o julgamento desta quinta-feira (23) sobre a extensão do foro por prerrogativa de função seria apenas a oficialização da mudança de entendimento do Supremo. Certo?

Errado. Não há segredos de que parte dos ministros quer adiar a decisão do tribunal. E o faria em sintonia com as críticas feitas por parlamentares e pelo governo ao Supremo por querer o tribunal mudar as regras do foro privilegiado por interpretação constitucional.

O primeiro sinal partiu do ministro Alexandre de Moraes. Na sessão do dia 1º de junho, ele usou duas horas do plenário para pedir vista. Algo que é geralmente feito em alguns segundos.

Nesta quarta (22), o ministro Gilmar Mendes disse que ninguém apostava que o julgamento seria concluído nesta semana, apesar de o processo estar na pauta com quatro votos já proferidos.

Por fim, reservadamente, ministros favoráveis à mudança no foro já articulavam uma reação ao pedido de vista que davam como certo. Pedido de vista, criticavam eles, que se assemelha mais à obstrução judicial do que a um prazo maior para que o assunto fosse mais bem estudado. Algo não tão incomum no tribunal.

Nessa leitura de sinais, chamou a atenção dos ministros as visitas fora de agenda feitas pelos ministro Dias Toffoli e Gilmar Mendes ao presidente da República, Michel Temer.

Na base de sustentação ao governo no Congresso e no ministério de Temer há clientes da Justiça Criminal preocupados com a possibilidade de serem investigados e julgados na primeira instância e não mais no STF. E isso ocorrerá se o tribunal entender que apenas os crimes cometidos no exercício do mandato devem ser investigados no Supremo.

Um pedido de vista que leve ao adiamento da decisão do Judiciário, dilapidando o foro por prerrogativa de função, concorde-se com ela ou não, dá tempo para a política se antecipar ao Supremo e aprovar uma nova regra que se molde perfeitamente aos seus interesses. É a política dando sua resposta ao Supremo.



"Gastar menos e fazer mais", editorial do Estadão

O governo pode fazer mais com menos dinheiro, produzindo serviços com mais eficiência e tratando os cidadãos com mais equidade, segundo um estudo recém-divulgado em Brasília pelo Banco Mundial. O trabalho contém material farto e de alta qualidade para discussão na campanha eleitoral do próximo ano. Falta conferir se haverá candidatos bastante sérios para tratar de assuntos como a melhora da administração, a reforma do Orçamento, a distribuição mais equilibrada e mais justa de encargos e benefícios e a definição mais pragmática e realista de metas e programas. As propostas são dirigidas a quem estiver disposto a enfrentar com seriedade e honestidade algumas questões tão simples quanto importantes. Exemplos: por que os pobres devem financiar ensino universitário gratuito aos jovens das classes mais abonadas? Por que o Tesouro deve conceder benefícios custosos e ineficientes a grupos empresariais mais interessados no conforto do que na busca de competitividade?
O governo brasileiro gasta mais do que pode e, além disso, gasta mal: essa “é a principal conclusão do estudo”. Nenhum remédio será satisfatório, portanto, se o problema do gasto mal executado ficar sem tratamento. Nesse caso, mais dinheiro à disposição do poder público será mais dinheiro desperdiçado. Não é uma questão ideológica, mas aritmética e pragmática.
As mudanças propostas no estudo podem servir a governos de várias orientações – se forem razoavelmente sérios. Afinal, o uso mais eficiente do dinheiro pode servir à execução de diferentes tipos de política. Mas a eficiência dependerá de algumas condições.
Uma delas é a reforma da Previdência, apontada como a fonte mais importante de economia no longo prazo. Não há como contornar os desafios impostos pelas mudanças demográficas, argumentam os autores do estudo, repetindo um argumento realista e bem conhecido. Além disso, a reforma poderá tornar mais equitativo um sistema caracterizado por distribuição desigual de benefícios entre ricos e pobres e entre servidores públicos e trabalhadores do setor privado.
Sem essa e outras mudanças, o teto de gastos ficará na lembrança como mais uma iniciativa bem-intencionada e de curtíssima utilidade. O limite constitucional dos gastos só terá um sentido prático se for invertida a tendência dominante nos últimos anos. Será necessário executar nos próximos dez anos um corte acumulado de quase 25% nas despesas primárias (isto é, sem juros) da administração federal. A contenção do gasto exigirá várias medidas além do combate ao déficit previdenciário.
As propostas incluem, entre os primeiros itens, a redução da massa de salários do funcionalismo público, medida tanto de eficiência como de equidade. A redução pode ser obtida pela diminuição do quadro de pessoal e pelo corte gradativo das vantagens. A remuneração do funcionário federal, segundo o relatório, é em média 67% superior à dos trabalhadores do setor privado (mesmo levando-se em conta diferenças de nível educacional).
O governo também poderá economizar melhorando seu sistema de compras e assim reduzindo desperdícios. Poderá abandonar políticas muito caras e ineficientes de estímulo às empresas, com custos equivalentes a 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015. A ineficiência dessas políticas, com escasso ou nenhum resultado em termos de crescimento, foi apontada várias vezes por analistas brasileiros. O governo apenas mexeu em alguns de seus componentes.
Algumas inovações são politicamente complicadas, caso da unificação dos programas de proteção social. A eliminação da gratuidade como padrão geral da universidade pública seria certamente recebida com muitas críticas, embora dois terços dos beneficiários pertençam aos 40% mais aquinhoados. A mudança seria compatível com programas de financiamento e de bolsas.
Racionalidade e eficiência são raramente populares. É muito mais fácil defender políticas populistas, mesmo quando inflacionárias e injustas, como tem sido no Brasil. Enfrentar o populismo, no entanto, é hoje indispensável para garantir o futuro do País.

"Lula e a Previdência", editorial do Estadão

Uma reforma da Previdência para racionalizar o regime de aposentadoria e pensões no País, mirando particularmente as distorções no setor público, e que, para tanto, entre outras providências estabelece a taxação de servidores inativos, idade mínima para a aposentadoria e teto para a concessão de benefícios... O leitor desavisado dirá que se trata da reforma da Previdência que o governo está tentando aprovar no Congresso Nacional ainda este ano. E errará redondamente. Trata-se da reforma da Previdência que, articulada pelo então ministro da Fazenda Antonio Palocci, dentro do espírito da Carta aos Brasileiros, se converteu na primeira grande vitória parlamentar do governo Lula, em 2003.
A proposta governista sofreu então forte oposição dos setores radicais do PT, da esquerda, dos movimentos sociais e das centrais sindicais. Estas, no dia da votação, promoveram a invasão e depredação do Congresso. Na votação, a reforma proposta pelo governo petista foi aprovada com forte apoio dos oposicionistas PSDB e PFL (hoje DEM). Contou também, como se veio a saber depois, com os votos dos parlamentares cooptados pelo esquema do mensalão.
Vários deputados petistas que não acataram a orientação do Planalto naquele episódio foram expulsos do partido, com o aval de Lula. Sobre eles o então presidente da República declarou em entrevista a Veja: “Eu pensava que as pessoas ligadas ao nosso projeto deveriam assumir a responsabilidade de ser governo. Mas percebi que elas escolheram outro caminho. Que o sigam. A opção delas é legítima e o povo julgará quem está certo”. Mas o PT não esperou o “julgamento popular” sobre a “opção legítima” de seus dissidentes e tratou logo de expulsá-los.
A vitória obtida no Congresso em 2003 estimulou o governo Lula a cogitar adiantar ainda mais a reforma da Previdência, já que até então a política fiscal e econômica era orientada pelos parâmetros de fortalecimento institucional estabelecidos pelo governo Fernando Henrique. Se tivesse perseverado nesse objetivo, Lula provavelmente teria evitado, ou pelo menos minimizado, a gravíssima crise fiscal e econômica provocada pela “nova matriz econômica”, que resultou no impeachment de Dilma Rousseff.
A partir dos extraordinários níveis de popularidade que conquistou logo em seu primeiro mandato, Lula poderia ter colocado seu enorme prestígio a serviço de um grande projeto nacional de reformas, do qual aquela primeira etapa da previdenciária teria sido o início. Ocorre que, não resistindo às tentações do poder, Lula optou por priorizar a consolidação do projeto hegemônico do PT, ou seja, o seu próprio, para o que preferiu evitar o desgaste do confronto com os radicais, inclusive dentro de seu partido e do movimento sindical. Quem assistiu às aparatosas manifestações “populares” nos tempos em que abundantes recursos públicos abasteciam os cofres sindicais é capaz de entender por que o populista Lula não hesitou ao abandonar o que era certo para o Brasil e escolher o que era conveniente para seu projeto político. Engavetou a ampliação da reforma da Previdência e a História acabou impondo-lhe uma lição exemplar.
Hoje, lutando desesperadamente não mais para colocar o Brasil a seus pés, mas para sobreviver politicamente, de preferência fora da cadeia, Lula faz contra o País exatamente o mesmo que o fogo amigo de seus correligionários e aderentes tentou fazer contra ele próprio, 14 anos atrás. Qualquer pessoa movida pelo bom senso entende a necessidade urgente da reforma da Previdência, ameaçada de, num futuro próximo, depois de ter esgotado os recursos do Tesouro, entrar em colapso e deixar aposentados e pensionistas à míngua.
Ao contrário do que Lula e a companheirada insistem em alardear irresponsavelmente, a reforma da Previdência não “priva de direitos” os trabalhadores. Já a teimosia cega e oportunista contra ela priva o País de um futuro.

Luciano Huck vira o ‘novo’ com Doria fora

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

As duas principais conclusões do salto da aprovação a Luciano Huck são, primeiro, que ele está no jogo e, segundo, que a sociedade continua em busca de um nome de centro que signifique o “novo”, uma alternativa aos políticos tradicionais. Saiu João Doria, entrou Huck no foco político e eleitoral.
Em política não há vácuo. Doria vai deixando o campo, mas a torcida insiste em alguém com as mesmas características e expectativas. Huck está no aquecimento. Apesar de reclamar das pressões e do frio na barriga, tem deixado claro que “tem responsabilidade com o País”.
Quanto mais a aprovação de Doria cai, mais a de Huck sobe. Em julho, com sua pré-campanha a todo vapor, o índice de aprovação de Doria (38%) quase empatou com o de desaprovação (45%). A distância disparou: a aprovação despencou para 19% e a desaprovação subiu para 63%, aproximando-se dos índices dos políticos tradicionais do quais ele pretendia se descolar.
Os que demonstravam simpatia por Doria foram transferindo o sentimento para Huck, que tem enorme exposição pública e deu sinais de estar no páreo: conversa com líderes políticos e privados e participa de movimentos que chama “do bem”, como o Agora! e o Renova-BR, para estimular a renovação política.
Doria e Huck servem como teste para as chances do governador Geraldo Alckmin, que venceu o embate com o prefeito e se prepara para enfrentar uma celebridade com todas as vantagens, mas também com todas as desvantagens, das celebridades. Se vencer mais essa, Alckmin herdará a aprovação a Huck. Se perder, vai ter um duro adversário nas forças de centro.

Lava Jato - Suíça apura no Brasil gerentes de contas

Jamil Chade, CORRESPONDENTE, O Estado de S.Paulo

GENEBRA - Uma delegação de procuradores suíços esteve no fim de outubro em Curitiba para questionar suspeitos da Operação Lava Jato. O objetivo do grupo era colher informações sobre quem eram os gerentes e intermediários que ajudaram na abertura de contas em bancos do país nas quais dinheiro ilegal foi depositado. 
A iniciativa faz parte da terceira fase da operação no contexto da Lava Jato, conduzida pelo Ministério Público de Berna. Depois de investigar corruptos e corruptores, os procuradores agora partem para decifrar como mais de US$ 1 bilhão entraram na Suíça, em mais de mil contas atualmente congeladas.
Ao Estado, as autoridades suíças evitaram dar detalhes do que ocorreu em Curitiba. Mas “confirmam que, no contexto do caso Petrobrás-Odebrecht, uma delegação do escritório do procurador-geral da Suíça esteve no Brasil”. “Diante dos resultados obtidos e dos documentos que estão em nossa posse, o escritório do procurador-geral, no que tem sido chamado de terceira fase, examinará a questão de abrir procedimentos criminais contra intermediários financeiros na Suíça”, disse o MP da Suíça.
Os nomes dos suspeitos interrogados no Brasil não foram revelados. Mas a reportagem apurou com fontes envolvidas no processo que as questões que lhes foram apresentadas tinham relações com a operação de abertura de contas, do controle feito pelos bancos sobre a origem do dinheiro e se algum operador ou gerente teria colaborado em ocultar a rota dos recursos.
Ao Estado, procuradores do Ministério Público Federal explicaram que existe um entendimento entre Curitiba e Berna sobre a separação do trabalho. Em casos envolvendo cidadãos suíços e que não serão jamais extraditados ao Brasil, a preferência que se dará é de que o inquérito seja conduzido em Berna. Já para brasileiros, a responsabilidade ficaria entre Brasília e Curitiba.
Em maio, e seguindo esse princípio, o juiz federal Sérgio Moro autorizou a transferência para Berna do processo envolvendo o suíço-brasileiro Bernardo Freyburghaus. Ele é suspeito de ter sido um dos intermediários para contas envolvendo ex-diretores da Petrobrás. Mas, assim que a operação eclodiu no Brasil, ele se mudou para a Suíça e, por sua nacionalidade, não poderá ser extraditado de volta ao País.
Também chamou a atenção dos investigadores a delação premiada de Fernando Miggliaccio, ex-executivo do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, o departamento da propina. Preso em Genebra, ele acabou sendo transferido ao Brasil e revelou como se relacionava com intermediários e mesmo gerentes de bancos. 
Uma das relações era com Heitor Duarte, um dos gerentes do banco PKB. Duarte, segundo o Estado apurou, chegou a ter um entendimento com a Odebrecht para usar o sistema confidencial de trocas de mensagens da construtora e criado para organizar o pagamento de propinas.